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Além dos novos 52! Histórias que não podem se perder no flashpoint – Authority

maio 13, 2013

Olá pessoal! Mais uma coluna onde remexemos o passado da DC Comics atrás de quadrinhos que não podem ser esquecidos. Hoje vamos falar um pouco de Authority e de seu criador: Warren Ellis.

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Se você está acompanhando o universo DC Novos 52 já deve ter encontrado o grupo secreto de super seres chamado Storm Watch, se você é novo nesse universo provavelmente não reconhece de onde vem estes personagens ou o fato de eles virem de um lugar muito distinto –  o universo da Image comics. Esta relação entre a DC e a Image comics é bem marcante em sua cronologia atual, revivendo artistas, estilos e personagens que fizeram sucesso nos anos 90 como os WildCats, Spawn, Savage Dragon, etc. StormWatch vem dessa safra, mas o grupo de onde vem Apolo e Meia-Noite só foi vir ao mundo em 1999 e em outras condições.

Vamos voltar no tempo para 1992, em que quadrinhos como Homem-Aranha de Todd McFarlane e os X-men de Jim Lee vendiam tiragens de milhões (isso mesmo, milhões) levando os dois artistas mais um grupo de criadores, cientes que estas cifras eram resultado de seu suor laboral, a sair de suas empresas empregadoras e se juntar em uma nova e promissora editora: A Image Comics.

A editora começou com um Boom, com um elenco de criadores bombásticos e personagens coloridos, raivosos e mulheres de biquini prontos para aplicar a justiça com muita porrada, linhas de velocidade e capas holográficas… Teve início assim a era dos especuladores que compravam tiragens inteiras de uma edição para revender a preços exorbitantes quando a procura aumentasse. O resultado foi uma queda na pouca elaboração dos textos e um aumento nos enfeites de capa. As Comic Shops começavam a se multiplicar pelo mundo atrás do dinheiro fácil e revistas como a finada Wizard nasceram para  controlar o capital especulativo por meio de uma lista atualizada mês a mês com os títulos quentes do mercado.

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Reagindo a críticas com relação a fraqueza do conteúdo, alguns estúdios ( a Image era formada pelo coletivos de estúdios de seus membros formadores: Wildstorm de Jim Lee, Top Cow de Mark Silvestre, Boom Studios de Rob Liefield, etc, cada uma com seu próprio leque de personagens) começaram a contratar nomes consagrados como Neil Gaiman, Alan Moore e Grant Morrison para escrever alguns títulos, ao mesmo tempo em que abriram espaço para novos escritores interessados em super-heróis. Um deles era o jovem Warren Ellis, contratado pela WildStorm para escrever seu supergrupo de agentes secretos StormWatch. A crise veio, o mercado especulativo se afogou em suas próprias artimanhas levando os estúdios a se dividirem em editoras independentes, menos a WildStorm que foi comprada pela DC Comics.

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A meta era tirar o pé da cova e a aposta era em bons argumentos. Os anos 90 estava acabando e um novo milênio acenava no horizonte. Warren Ellis já fazia sucesso graças a seu, cada dia mais sombrio, Stormwatch e títulos como Transmetropolitan cimentavam sua fama no extinto selo Helix da DC. Mas era hora de mudanças. Em StormWatch, Ellis criou o grupo de trabalhos secretos chamado StormWatch Black, e após um encontro desastroso com os alienígenas criados por Riddley Scott no especial Wildcats VS Aliens, o título é cancelado. O que se seguiu em 1999 revirou o universo dos quadrinhos de super-heróis utilizando conceitos extraídos de clássicos como Watchmen e Cavaleiro das Trevas, somados a paixão de Ellis por ficção científica Hard  e magia shamanica: Assim nasceu The Authority –  um grupo formados pelos membros da extinta StormWatch Black: O espírito do Séc. XX, Jenny Sparks; o homem das cidades; Black Hawsmoore; o junkie e último de uma longa linhagem de shamans,o  Doutor; a maravilha nanotecnológica, Engenheira; e fera alada Swift e o casal de aventureiros criados genéticamente, Apolo e Meia Noite.

Tudo era novo, de novo. Warren Ellis se encontrava livre de uma cronologia sem pé nem cabeça e uma carta branca pra fazer o que quisesse e o artista Brian Hitch mostrou ao mundo que um quadrinho pode ser realisticamente detalhado sem perder sua dinâmica e, mais importante, sem perder sua capacidade de contar histórias. E que histórias.

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Em Authority tudo pode acontecer. Desde os personagens matarem deus, até o primeiro beijo gay dos quadrinhos (não é a toa que Apolo e Meia-Noite sejam tão parecidos com dois certos melhores do mundo…) A ação era vertiginosa e ultra-violenta e a premissa era simples: Nós temos poder para salvar o mundo e vamos fazê-lo a qualquer custo. As histórias costumavam a destruir cidades famosas inteiras e a proatividade dos heróis não escondia seu potencial fascista… pelo contrário. O diferencial do título é justamente se equilibrar entre um pensamento esquerdista que se vê com poderes para instituir seu ponto de vista e o quanto esta linha ação vai se diferenciar de outras ditaduras impostas com poder superior. Tudo muito sutil…

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Mas esta sutileza vai pro espaço quando Ellis e Hitch dão lugar a um outro grupo de novatos: Mark Millar e Frank Quitely. Sob a pena de Millar (que segundo fontes teve a ajuda do conterrâneo escocês Grant Morrisson), o grupo assume suas nuanças políticas confrontando de frente o governo americano, as grandes corporações que mandam no mundo e as pequenas ditaduras alimentadas por armas da indústria bélica dos yankes. Outra diferença entre as duas fazes é a falta de maniqueísmos. Os membros do Authority são donos de hábitos desagradáveis como qualquer um, a ponto de irem as missões fedendo a bebida, ou reclamarem do cheiro dos refugiados resgatados em uma missão na Ásia,  o que os separa de seus adversários é a escolha ética que fazem com clareza, e se seus métodos são discutíveis, os de seus inimigos conseguem ser ainda mais revoltantes.

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O Authority teve um impacto grande nos quadrinhos, gerando paródias e versões, como o grupo Elite,  liderado por Manchester Black e que desafia Super-Homem para uma aposta de poder (uma alegoria das questões a revista levantou) que foi inclusive adaptado para um longa de animação: Superman Vs The Elite. Sua abordagem do mito do super-herói também permitiu que o mercado recebesse autores como Brian Michael Bendis e o próprio Mark Millar; foi a inspiração para o universo Marvel Millenium e, pode-se dizer, possibilitou que existissem filmes de pessoas em colantes coloridos sem que isso parecesse ridículo.

Authority é um quadrinho arrojado, sem medo de tocar em feridas e levantar discussões. É o fruto de uma renascença dos quadrinhos de super-heróis que teve início quando Alan Moore e James Robinson trabalharam nos WildCats (o que levou ao relançamento da Liga da Justiça por Grant Morrison e ao próprio Autórity e seu título irmão, Planetary) e que teve seu último prego do caixão fincado com o lançamento dos Novos 52, momento em que a DC decide voltar aos esquemas especulativos do início dos anos 90 e recauchutar velhos conhecidos como Rob Liefield e Scott Lobdell… mas a história tende a se repetir, e uma nova fase de  novos criadores pode vir a qualquer momento. Enquanto isso, não deixe de procurar por qualidade nos sebos e nas revistas antigas.

Serviço: Authority: Sem Perdão – R$ 60,00;  Authority: Sob Nova Direção – R$ 43,00;   Jenny Sparks: A história secreta do Authority – R$30,00;

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