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Opinião – Pensamentos sobre Before Watchmen, ou “Uma auto-estrada pavimentada de boas inteções”

abril 18, 2012

“Os quadrinhos são os filhos bastardos da imprensa com o mercado” disse Art Spielgman certa vez (Art Spielgman, caso você tenha entrado neste site por engano achando que era um site da Disney, é um dos principais quadrinistas a chamar a atenção do grande público para as HQ´s e seu potencial para abordar temas mais sérios e espinhosos como campos de concentração e anti-semitismo em sua obra MAUS). E como mercado e HQ´s mainstream são meus assuntos preferidos para tratar aqui, evoco a fala de Spielgman e acrescento que estes filhos, em sua encarnação mais mercadológica – os comics norte-americanos, além da sua infeliz condição de bastardos estão passando hoje por um momento de exploração intensiva e abusiva por parte dos grandes conglomerados do entretenimento acrescentando a uma relação incestuosa (como coloca Alan Moore) um nível só visto antes na aurora da indústria dos comics.

E, já que falamos aqui do escritor Alan Moore, recentemente a Dc Comics anunciou uma série de especiais entitulados  Before Watchmen onde um eclético grupo de escritores e artistas exploram o passado do universo criado pelo polêmico mago inglês e pelo artista Dave Gibbons. Preciosismos a parte, a lista é de impressionar: Darwin Cooke, Amanda Corner, Adam Hughes, Jae Lee, Joe e Adam Kubert, Brian Azarello controverso escritor J. Michael Straczinsky. Há ainda um nome curioso que está a bastante tempo sem produzir e que tem sua carreira entrelaçada  a de Moore por motivos não menos curiosos: Lein Wein.  Wein é um notório antipatizante de Moore e criador do personagem Monstro do Pântano, personagem que foi a porta de entrada do mago nos comics. Lein era editor da DC quando quis alterar o final da mini-série por considerar ser uma idéia não muito original. Tendo razão ou não, a tensão no final da série marcou a relação de Moore com a DC e os trabalhos futuros. Ironicamente, agora Wein vai ter a chance de mostrar sua visão da série em Before Watchmen.

Nem preciso dizer que este projeto incendiou os fóruns e a imprensa especializada e que irritou bastante Alan Moore, que já havia se posicionado contra qualquer utilização da história em projetos caça níqueis posteriores. E enquanto o editor Paul Levitz capitaneava a editora, este acordo de cavalheiros se manteve inalterado até a Time Warner decidir que deveria assumir as rédeas administrativas daquela pequena editora que possuíam e que mal rendia lucros com suas vendas (lógico, falo isso dentro da ótica agigantada de um monstro corporativo do porte da Warner), mas que tinha propriedades criativas que lhe rendiam bilhões de dólares nas portas dos cinemas e nas lojas de brinquedos.

A aproximadamente um ano, o quadrinista Darwin Cooke, a mente e mãos  por trás de obras como o libelo da era de prata DC Nova Fronteira e suas muito bem recebidas Graphic Novels Richard Stark´s Parker: The Hunter e Parker: The Outfit que adaptam os livros da novela policial de Donald Westlake , disse ter sido abordado pela nova direção da editora de Super-homem  para trabalhar em um projeto com os personagens de Watchmen. Cooke afirmou nutrir um respeito imenso pela obra e que considerava ofensiva uma tentativa de retornar a este universo sem que seus criadores originais estivessem envolvidos ou que houvesse ao menos uma autorização por parte de Moore. No entanto, ao anunciarem Before Watchmen para o público, seu nome figurava entre uma das maiores estrelas envolvidas no projeto encabeçando títulos que, imaginados pela sua visão particular, exalam o perfume apetitoso que suas obras liberam : Minutemen – o equivalente a Sociedade da Justiça do universo de Dr. Manhattan e sua trupe de heróis disfuncionais; e o título Silk Spectre – narrando as aventuras da heroína mascarada da era de ouro e que será ilustrada pela artista Amanda Corner. Além destes títulos ainda temos ainda Brian Azarello em colaboração com seu parceiro de trabalho Lee Bermejo em uma série de Rorchach e, tendo J. G. Jones com colaborador, uma série do Comediante.  O já citado Lein Wein fará dois títulos, uma série de Ozimandias com a soturna arte de Jae Lee; e uma revista misteriosa chamada Crimson Corsair desenhada por John Higgins. J. Michael Strazinsky estará por trás dos roteiros de uma série do Doutor Manhattan, ilustrado com a bela arte de Adam Hughes e também da série de Nite Owl, que conta com o lápis de Andy Kubert e o nanquim de seu pai, o mestre Joe Kubert (que cairia melhor, talvez, no título do comediante).

Obviamente, junto a esse projeto já estão programados estátuas e figuras de ação produzidas pela Dc Direct, ramo da Dc comics que cuida dos produtos colecionáveis. Aliás, este mês também ocorreu a mudança de nome da DC Direct, agora atende por DC Colectibles.  A troca do nome atende as mudanças que a nova direção impôs, afinal, colecionismo doentio é uma das modas propagadas pela principal vitrine da DC: o seriado Big Bang Theory. Mudar o nome é uma ótima estratégia para guiar o público da série para o setor da empresa que transforma o hobby em moda e estilo de vida.

Retornando aos gibis, pensar no produto que estas mentes podem conceber é algo que realmente dá água na boca. E não me sinto nem um pouco culpado em reconhecer isto. Pelo menos não tanto quanto me sentiria em ler um fanfic de boa qualidade que envolvesse os personagens de Watchmen. Alias, a palavra que mais se encaixaria para descrever este projeto seria exatamente esta: Fanfic. Lógico que os fãs envolvidos na produção desta ficção são profissionais de grosso calibre, fato que não desmerece qualquer mérito estético-narrativo que essas obras possam vir a ter. Mas o que me impede de nomear Before Watchmen como Fanfic é um único e importantíssimo fator: Não se paga, ou se lucra, por fanfics. O objetivo de um Fanfic é sempre o de extravazar as histórias que ainda continuam sendo escritas nas cabeças dos fãs anos depois de terem lido determinadas obras. O que empesteia todo esse empreendimento, manchando boas índoles profissionais e desrespeitando criaturas e criadores é a insistência dos executivos da Warner em disfarçar exploração descarada de bens intelectuais que se perderam em acordos jurídicos assinados em uma época que era impossível prever o que tais obras se tornariam (Batalha DC X Shuster/Siegel, alguém? Alguém?) com um discurso de “homenagens” a importância dessas obras ou criadores. Ano passado, outra “homenagem” de mau gosto enfureceu a família do falecido Dwayne McDuffie. A editora anunciou uma edição especial de seu personagem Static Shock,  conhecido no Brasil como “Super Choque” em que por U$ 5,95 você podia relembrar a obra de McDuffie sem que nenhum centavo das vendas desta revista fossem repassados a família. Os parentes do autor, lógico, obrigaram a editora a cancelar a edição.

Na contra-mão disso tudo, autores independentes tem encontrado na net um terreno fértil para publicarem seu trabalho. Tão fértil, que é preciso muitas horas livres para garimpar as perolas potenciais deste novo meio. Meio este que também é responsável pelo grosso do prejuízo que os conglomerados midiáticos monstruosos vem sofrendo com a distribuição gratuita de filmes e scans de gibis. Se isso é bom ou ruim é outra complexa discussão, mas que, graças ao escritor Mark Waid, seu novo blog de opinião e seu novo cargo como coordenador do selo Marvel Infinity de quadrinhos desenvolvidos direto para tablits e iphones, tentaremos pincelar no nosso próximo texto. Concluo imaginando, em um futuro bem próximo, um Alan Moore bonachão liberando na net as páginas de Before Watchmen para todos que quiserem matar a curiosidade de ler estas homenagens a sua obra. E cobrando o preço justo que uma obra não autorizada deve ter.

Arte de Jim Lee para Before Watchmen - Pura inspiração...

Confira a arte de Darwin Cooke no preview de Rocketeer Adventures #2!

junho 15, 2011

A mini-série Rocketeer Adventures estreou nos EUA com grande sucesso entre os fãs do personagem retrô de Dave Stevens e sua homenagem a rainha das Pin ups – Bettie Page, na forma da namorada de Cliff Secord.

Aliás, é Bettie que brilha na edição número dois da mini-série, atravéz do traço do sempre brilhante Darwin Cooke. Esta edição também conta com histórias de Mark Waid e Chris Weston, Lowell Francis e Gene Ha além de pin ups diversas. Confiram um preview abaixo: