Grant Morrison: Em Polêmica Entrevista pra Playboy

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Grant Morrison: Em Polêmica Entrevista pra Playboy

Grant Morrison….. é um dos escritores mais aclamados e polêmicos dos quadrinhos. Com obras marcantes em sua carreira (“Os Invisíveis”, “Homem-Animal”, “Novos X-Men”, “Grandes Astros: Superman”, “Marvel Boy”, e várias histórias do “Batman”: incluindo sua fase atual nos EUA), o autor fez declarações bastante polêmicas em uma recente entrevista pra revista Playboy:
Entre as quais…. afirmou que Batman é GAY (e que “não há como negar isso”), que a Mulher-Maravilha foi criada como um reflexo das fantasias e desejos sexuais  proibidos da época (sempre era amarrada e amordaçada em histórias q mesclavam luxúria e submissão feminina além de lesbianismo sutil), e Magneto (vilão dos X-Men) é apenas um terrorista que não tem nada da “nobreza” que a Marvel tentava agregar à ele!!!
Confira abaixo a entrevista (traduzida em português)…. e tire suas próprias conclusões sobre essas e várias outras declarações polêmicas:

Sobre o Batman:

“Eu fiquei interessado no elemento de “classes” que envolve o Batman: Ele é um cara rico que bate em gente pobre. É uma missão bem bizarra sair a noite vestido de morcego e dar uma surra em marginais. E aí ele vai pra casa e mora numa mansão. Há uma qualidade inspiradora nele – ele é um fora da lei e ele pode comprar qualquer coisa. Ele tem um bat-móvel novo a cada filme. Ele é muito plutoniano no sentido de que ele é rico e no senso de que ele tem um desvio sexual. A homossexualidade é intrínseca ao Batman. E eu não estou usando “gay” no sentido pejorativo, mas Batman é muito, muito gay. Não há como negar isso. Obviamente que como personagem ficcional há uma pretensão de que ele seja heterosexual, mas a base de todo o conceito dele é altamente gay. Eu acho que é por isso que as pessoas gostam. Todas aquelas mulheres que o desejam, e elas todas usam aquelas roupas fetichistas e pulam de telhado em telhado para pegá-lo. Mas ele não se importa – ele está mais interessado em sair com o velho e com o garoto.”

 Sobre o Superman:

“Quando Superman foi criado durante a Grande Depressão, ele era o campeão dos oprimiidos e lutava ao lado dos trabalhadores. Ele era fora da lei. Se você batesse na mulher, ele te jogaria pra fora da janela. Se você fosse um deputado corrupto, ele ficaria te balançando do alto do telhado até você confessar. Eu acho que isso tinha um grande apelo para as pessoas que estavam perdendo seus empregos para máquinas: de repente você tinha um super-humano quebrando as máquinas e esmurrando robôs. Mas a popularidade dele declinou – ninguém mais quer ser um filho de fazendeiro hoje em dia. Os escritores americanos geralmente dizem que acham difícil escrever o Superman. Eles dizem que ele é poderoso demais; que não dá pra criar problemas pra ele. Mas o Superman é uma metáfora. Pra mim, Superman tem os mesmos problemas que nós temos, mas numa escala de Paul Bunyan*. Se Superman sai pra passear com o cachorro, ele anda em volta de um cinturão de asteróides porque ele pode voar. Quando os parentes do Superman vêm visitá-lo, eles vêm do século 31 e trazem com eles um monstro conquistador infernal do futuro. Mas no fim ainda é uma história sobre parentes visitando.”

*Paul Bunyan é um lenhador gigante que faz parte do folclore americano. (Teve uma história sobre ele adaptada e publicada em “Almanaque Disney nº 1” da Abril)!!!

Sobre o Coringa:

“Eu me identifico com o Coringa até certo ponto – pelo menos na forma como eu o escrevo, que é como um idiota cósmico. Ele é o oposto perfeito do Batman, se não for mais. Quando o Coringa apareceu em 1940, ele era um maníaco homicida amarrado. Então eles tiraram toda violência e morte, e ele se tornou um palhaço gargalhando, dirigindo por todo lado em seu Coringa-móvel. Depois ele era um paciente psiquiatrico risonho da versão da série de TV. De repente nos anos 70 ele estava matando seus capangas novamente. E nos anos 80 ele era um andrógino transvestido. Então eu disse: “okay, nós tivemos todas essas versões do Coringa. Então vamos dizer que elas são todas partes da mesma pessoa que apenas muda de ideia a cada dia. Eu racionalizei isso ao dizer que ele é supersão, o primeiro homem do século 21 que consegue lidar com o excesso de informação mudando toda sua personalidade. Eu até que gosto dele, porque ele é um pop star – ele é como Bowie.”

Sobre a Mulher-Maravilha:

“William Moulton Marston, o cara que criou a Mulher Maravilha, era um notável psiquiatra. Ele é o cara que inventou o polígrafo, o detector de mentiras. Ele era um daqueles boêmios que amava livremente; ele e a mulher dele, Elizabeth, compartilhavam uma amante, Olive, que foi o modelo físico para a Mulher Maravilha. O que ele e Elizabeth fizeram foi propor uma sociedade de amazonas que ficou sem a presença de homens por 3 mil anos. Isso se desenvolveu, juntamente com algumas das mais febris fantasias de Marston, numa utopia lésbica. Embora elas fossem supostamente amantes de uma cultura de paz, o anseio de todas essas super-garotas parece girar em tonro de lutar umas contra as outras, e essa coisa louca e ritualística, onde garotas se vestem como veados e são perseguidas e amarradas e simbolicamente comidas num banquete. Essa coisa toda era luxúria misturada com bondage e escravidão. A Mulher Maravilha era constantemente amarrada ou algemada – e tudo isso se tornou um grande sucesso. Quando Marston morreu em 1947, eles se livraram dos elementos perversos, e instantaneamente as vendas afundaram. Mulher Maravilha deveria ser a mulher mais sexualmente atraente, inteligente e pontente que você possa imaginar. Ao invés disso, ela se tornou um cruzamento entre a Virgem Maria e a Mary Tyler Moore que não tem apelo nem mesmo para garotas.”

Sobre Magneto:

“Magneto é um velho terrorista bastardo. Eu entrei num encrenca – os fãs dos X-Men me odiaram porque eu o transformei em um velho estúpido e idiota viciado em drogas. Ele apareceu inicialmente como esse desprezível e cruel terrorista, então eu pensei: “Bem, isso é o que ele realmente é”. Chris Claremont fez ótimo trabalho através dos anos para redimir o personagem: Ele o tornou um sobrevivente dos campos de concentração e um nobre anti-herói. Então eu apareci e coloquei tudo aquilo de lado. Era logo depois do 11 de setembro, e eu disse: “ele não é nobre porra nenhuma”.

Retirado do : Actions e Comics
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