A nova Liga da Justiça foi a revista mais vendida das Américas em setembro!! Hummm, acho que não…

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Antes de começar este post, quero aproveitar para esclarecer que apesar do blog ser da Kingdom Comics, que é uma das mais duradouras lojas de quadrinhos do Brasil e que de fato o utilizamos para promover produtos, nosso blog também é um espaço para discussão e opinião, duas atividades que são imprescindíveis nestes dias de transição em que a sociedade no geral, e o mercado de quadrinhos específica e especialmente, estão passando. Este post é mais um em que expresso minha opinião – eu, Lima Neto, sócio/editor/escritor/diagramador – que, necessariamente, não está atrelado às razões comerciais da loja. Ou seja, se você não gostou da minha opinião, está livre para discuti-la e debatê-la em nosso espaço para comentários, mas ela não expressa exatamente a opinião da King dom Comics.

Esclarecidos então, podemos começar.

Como muitos de vocês leitores já sabem, a DC comics – casa de personagens como Super-homem, Batman e Mulher Maravilha –  está passando por uma reformulação total. Esse reboot estreou neste mês de setembro com o lançamento da nova revista Justice League que conta com os roteiros de Geoff Johns e a arte do ultra popular Jim Lee e foi alardeado pela editora como sendo a HQ que mais vendeu no continente Americano!

Bom existem controvérsias, e muitas.

O site britânico especializado em quadrinhos, Bleeding Cool, é um dos melhores sites sobre histórias em quadrinhos por ter uma opinião sólida (assim como seu site parceiro – Comics Alliance) e uma amplitude de visão que se esforça para ser global e multicultural. Por isso mesmo é um dos sites que uso de fonte paras as notícias em nosso blog. Nesta terça-feira, dia 13 de setembro, o jornalista do Bleeding Cool, Rich Johnston, publicou uma matéria interessantíssima com o seguinte título: “This is What a Half-Million American Comic Book Looks Like“. A matéria critica a informação veiculada pela DC Comics de que o título “Justice League” foi a revista em quadrinhos mais vendida das Américas, uma informação que realmente gera muitas dúvidas quanto a sua veracidade. Será que a DC fez sua pesquisa direito? Existe a clara possibilidade de que ela tenha confundido América com América do Norte, ou melhor, com os Estados Unidos da América?

"Por dentro dos números:Liga da Justiça #1 é oficialmente o quadrinho mais vendido de 2011"

Em todo caso, o jornalista fez sua pesquisa.

O que ele descobriu é que, dentro do continente americano, o gibi que mais vendeu foi este aqui ó:

De acordo com Johnston, a edição #34 da Turma da Mônica Jovem (ou Teen´s Monica Gang como ele diz) vendeu 500.000 edições! Sendo que isto só ocorreu por que esta edição mostra o beijo da Mônica com o Cebola (quase escrevi Cebolinha, mas prefiro separar os personagens) o que fez o título vender 100 mil edições a mais do que as comuns 400 MIL edições mensais que vende.

Eu cito esta matéria não por ufanismo, já que a falta de uma fonte de onde o jornalista extraiu esta informação acaba tirando um pouco da sua credibilidade, mas para demonstrar o tamanho do buraco em que as principais editoras de quadrinhos nos EUA estão enfiados e como elas estão absolutamente despreparadas para lidar com ele.

Você não está vendo? Deixa eu te ajudar.

O mercado de quadrinhos americano, como vocês leitores devem saber, tem duas grandes editoras no comando: Marvel e DC. Estas editoras já viram dias em que seus títulos vendiam centenas de milhares de edições por mês, mas estes dias já se foram há alguns anos e hoje o fato de um título vender 200.000 exemplares, mesmo que essa informação não passe de marketing, é motivo para festa. Mas como elas conseguem se manter hoje em dia em face de imensa e contínua queda de vendas? Essa é fácil! Assim como os quadrinhos, outra indústria de entretenimento que nunca sonhou em amargar tamanha impopularidade é a indústria cinematográfica de Hollywood. Para sobreviver, o cinemão norte-americano teve que absorver qualquer coisa que estivesse a sua volta passível de  lucro nas bilheterias, e a bola da vez até o momento são os filmes blockbusters adaptando os super-heróis mais conhecidos do universo pop, que não por acaso, são editados pelas editoras DC e Marvel. A DC  já tinha costas quentes com o dinheiro da mega-corporação midiática Warner a sustentando, mas o jogo só esquentou quando a Disney comprou a Marvel comics já de olho no lucro que os Estúdios Marvel já estavam  gerando.

O problema com estes apadrinhamentos são dois: O primeiro é que a produção da editora passa a obedecer a parâmetros estabelecidos pelos estúdios, já que os mesmos têm que garantir que o produto que estão vendendo nos cinemas seja o mesmo que é produzido nos quadrinhos e, também, criar novos produtos passivos de exploração para o cinema que estarão sob controle absoluto dessas corporações. Nesse ponto nós podemos facilmente encaixar este reboot da DC Comics e sua legião de Super-heróis de gola rolê e que se mostra, apesar dos esforços em promover uma inclusão social que eu particularmente considero estratégica, aparentemente sem alma. Lógico, sou o primeior a admitir que estou falando de algo que não li. Mas algumas imagens que vem sendo divulgadas na net têm me feito torcer o nariz para além da minha capacidade física para tanto. Como, por exemplo, a nova Amanda Waller do novo universo DC:

Como vocês podem ver, aparentemente os gordos não são mais bem vindos no universo da editora. Embora isso nada tenha a ver com o dinheiro dos leitores mais gordinhos. A personagem Amanda Waller sempre foi uma das mais impressionantes do universo DC. Uma personagem mulher, negra, com excesso de peso e que simplesmente comandava e manipulava dezenas de super-deuses. Precisa mesmo dizer mais? No entanto, para o padrão de beleza hollywoodiano, para fazer tudo isso ela provavelmente só pode ser bulímica e sensual.

O segundo ponto em que as associações entre as editoras de quadrinhos e os estúdios de cinema podem ser problemáticos é que a única estrutura em que estas editoras se seguram, frente ao abismo aberto pelo atraso nas suas maneiras de pensar e produzir quadrinhos para um mercado, é o dinheiro investido nelas pelos estúdios. Mas considerando os humores do mercado, este dinheiro só continuará fluindo enquanto estes personagens estiverem rendendo nos cinemas, ao passo que quando estas boas performances cessarem, os estúdios milionários não pensarão duas vezes antes de descartar estas editoras – agora dependentes de dinheiro externo e esgotadas criativamente. É esse o buraco que havia comentado antes.

Mas porque estou falando tudo isso? Por que estamos passando por um momento de mudança de mercado em que as editoras que tinham o domínio do mercado se vêem obrigadas a se adaptarem  radicalmente caso queiram sobreviver. A história em quadrinhos, como mídia, não está ameaçada. O que quer dizer que a queda destas grandes editoras simboliza algo ainda mais importante do que tudo que eu disse antes, significa que um espaço enorme do mercado estará livre para quem estiver preparado para assumir o vácuo que elas poderão gerar. E considerando que grande parte do mercado brasileiro de quadrinhos vem das editoras Marvel e DC, um espaço enorme também se abrirá no Brasil. Espaço que pode ser preenchido por material de qualidade onde artistas e escritores poderão encontrar um meio de subsistência em sua terra natal, ao invés de importar seus talentos para ajudar empresas internacionais a superar sua crise.

Finalizando, preciso afirmar nestas últimas linhas meu apreço enorme pelo gênero Super-herói – nascido nas histórias em quadrinhos e possuidor de características especiais que não existem em nenhum outro gênero – e dentro deste gênero, os super-heróis da Editora DC têm um lugar muito especial em meu coração, do Super-homem ao Red Bee. No entanto, enquanto as grandes corporações exploram sem dó personagens tão caros para todos, extraindo a criatividade que fazem estes super seres funcionarem, se abre um espaço para o novo, para novos criadores que podem e devem aproveitar o momento de renovação das HQs para criar histórias e personagens que você queira ver impresso. Entre a Era de Ouro dos quadrinhos de SH e a Era de Prata, estes personagens quase caíram no esquecimento, para retornar então renovados e com o frescor dos novos tempos. Talvez agora seja um novo momento para este gênero se renovar mais uma vez.

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8 Respostas to “A nova Liga da Justiça foi a revista mais vendida das Américas em setembro!! Hummm, acho que não…”

  1. Sergio Fonseca Says:

    Tu é foda! Matéria ducaralho! Parabéns!

  2. Moyza Says:

    Esta nova Waller parece feita para ser interpretada pela Hale Berry, como o Fury do Ultiverso era feito para ser interpretado no cinema pelo Samuel L. Jackson – como de fato foi.

  3. Fábio Evangelista Says:

    Concordo Lima…
    Hoje vivemos uma epoca que os interesses midiaticos superam o poder de criação de que faz HQ’s, mas, por outro lado, temos que considerar que as editoras precisam de dinheiro.
    Nem por isso podemos desconsiderar bons enredos em “HQ’s secundários” como o X-Factor e o X-Force, que os li recentemente e os achei bem melhores que as últimas publicações de herois mais badalados.
    Agora é esperar pra ver onde essa reformulação vai dar, embora as grandes empresas de entretenimento ainda venham se utilizando de histórias clássicas para conseguir levantar uma grana, a série dos Vingadores, Planeta Hulk, alguns episódios da Liga da Justiça e Batman Under the red hood são exemplos disso.

  4. POW Says:

    BOM MEU CARO, PRIMEIRAMENTE BOA TARDE, MEU NOME É PAULO, SOU CARTOONISTA E UM ASSÍDUO FREQUENTADOR DA KINGDOM, E GOSTARIA DE EXPRESSAR MINHA SINGELA PORÉM SINCERA OPINIÃO… DE FATO A DC E A MARVEL ESTÃO SIM PERDENDO O SEU ESPAÇO NO MERCADO DOS ENTRETENIMENTO, ISTO EM UMA PANORÂMICA GERAL, ALÉM DO MAIS, EM UM UNIVERSO TÃO INFORMATIZADO, TEM PIRRALHO E MARMANJO QUE TROCARAM AS PÁGINAS DE PAPEL PELAS DA WEB… UM OUTRO DETALHE QUE OBSERVO, E QUE NÃO DEVEMOS ESQUECER, É O FATO DO CONTEÚDO ORIENTAL, O QUAL TEMOS ACESSO JÁ À ALGUM TEMPO, FALO DO MANGÁ, NÃO SEI SE ISTO É RELEVANTE NESTE CASO, POIS CINEMATOGRÁFICAMENTE FALANDO, ADAPTAÇÕES DE MANGÁS, SÃO MEIO QUE RARAS, EXISTEM AQUELES LIVE ACTIONS, MAS NADA COMPARADO COM PRODUÇÕES HOLLYWOODANAS, ENFIM. A POPULARIDADE DESSES PERSONAGENS SÃO INIGUALÁVEIS, SUPERMAN, BATMAN, MAS ELES POR SI SÓ NÃO VENDEM GIBIS, TEM QUE TER HISTÓRIAS E HISTÓRIAS ADAPTADAS PARA OS DIAS DE HOJE, MAS SEM PERDER AQUILO QUE JÁ CONHECEMOS, OU SEJA, SUAS ESSENCIAS CARACTERÍSTICAS… O TEMPO PASSA, GERAÇÕES E MAIS GERAÇÕES SURGEM, E ME PERGUNTO, COMO ESTARÃO ESTES PERSONAGENS DAQUI UNS 20 ANOS OU MAIS? POIS ESTA GERAÇÃO JÁ NASCEU NA EUFORIA DO MANGÁ E ANIMÊ, ENTÃO NÃO SEI AO CERTO. O BOM DISSO TUDO É JUSTAMENTE ISSO MESMO, OPORTUNIDADE DE SE VALORIZAR CONTEÚDO NACIONAL E SAIR DO ANONIMATO MUITOS ARTÍSTAS BONS E CRIATIVOS.

  5. vicente Says:

    Tu é a mesma pessoa que escreveu o texto “Medo de um planeta negro” para o Raio Laser?

    [esse, no caso: http://www.raiolaser.net/2011/08/medo-de-um-planeta-negro.html%5D

    Se sim, por que não se pode mudar o peso da Amanda Waller, mas se pode mudar a cor do Heimdall?

    Talvez o problema esteja em que uma coisa é politicamente incorreta e a outra não?

    • kingdomcomics Says:

      Sou eu mesmo Vicente.

      Bom ponto o seu. Vamos lá então.

      As mudanças se dão em contextos diferentes, por isso não estão no mesmo artigo.

      Os filmes que adaptam quadrinhos podem realizar esta adaptação de várias formas e por isso sempre mudarão alguma coisa nesta transposição. Estas mudanças podem obedecer a dois tipos de necessidades: uma necessidade autoral ou/e uma necessidade de mercado. O caso de Heindall no filme Thor é típico de uma necessidade de mercado, porém, eu particularmente acredito que um Heindall negro é mais corajoso e interessante do que um Rei do Crime negro (Demolidor). Daí já se pode diferenciar uma decisão simplesmente comercial (no caso, o Rei do Crime) de uma decisão que é ao mesmo tempo comercial e autoral. Comercial por que obedece a uma urgência de mercado de inclusão racial assim como no caso do filme do Demolidor e autoral por que me parece uma decisão mais corajosa colocar um ator negro para interpretar um deus nórdico do que um criminoso. E essa coragem eu considero um dado autoral da produção.

      Já o caso da personagem Amanda Waller é outro. Ela é uma personagem criada por John Ostrander e John Byrne nos anos 80 e que, considerando a abundância de personagens femininas de super-herói que são desenhadas com o propósito de excitar adolescentes, se tornou um sucesso devido às características psicológicas e a sua personalidade forte. Uma personagem mulher nos quadrinhos de super-heróis que não faz sucesso pelas suas curvas é uma jóia raríssima que por si só já se bastava, mas ela ainda tinha o diferencial de ser negra e acima do peso. Ou seja, era uma personagem fora do comum para o público alvo e ao mesmo tempo mostrava que outras pessoas que não garotos adolescentes podiam se identificar com um personagem dentro desses gibis. Como eu coloquei no texto, a Dc está atualizando seus personagens com um processo “Deus Ex Machina” que permite que tudo recomece do zero. Esse processo ocorre para agregar mais leitores e fugir da falência que persegue estas indústrias do entretenimento. Ou seja, não há adaptação, há apenas uma releitura. Se a editora quer novos leitores, e para isso é importante que esses leitores se identifiquem com os personagens, por que modificar tão drasticamente uma personagem que não tinha problemas. Se o fato dela ser gorda era problemático pra eles, por que não resolver isso gradualmente, como acontece com qualquer pessoa? Ou fazer isso com uma boa história sustentando? Não é o caso do que vem ocorrendo agora, onde o visual dos personagens muda para facilitar a adaptação para o cinema.

      Em um caso ocorre uma liberdade autoral da adaptação, em outro ocorre uma falta de liberdade criativa em detrimento a uma futura, e que talvez nunca se realize, adaptação. É os estúdios Warner ordenhando a DC para produzir o produto que eles acham mais propício de gerar lucro no cinema.

      Deu pra entender a diferença?

      • vicente Says:

        Tu, “particularmente”, acredita que um Heindall negro é mais “corajoso e interessante” que um Rei do Crime negro ou que uma Amanda Weller magra. Por outro lado [nos termos do outro texto], quem não concorda contigo é um jovem WASP, fanboy, raivoso [“e-mails espumantes”] e racista.

        Vou, argumentativamente, levar a tua afirmação às últimas consequências: Tu, “particularmente”, acredita que um Heindall negro é bom; quem não concorda contigo, além de ser um imbecil, tem que ser preso [racismo, ao fim e ao cabo, é crime].

        Aparentemente, a diferença é que, para ti, o teu julgamento subjetivo é suficiente para qualificar um coletivo indefinido de pessoas [pq, no outro texto, elas foram agrupadas de forma genérica e sem sentido com base em características que te convém que elas tenham] como criminosos.

        Isso me parece mil vezes mais reacionário que a oposição vazia às mudança das características de um personagem.

        Finalmente:
        a] Michael Clarke Duncan sem camisa [abra por sua conta e risco!]: http://1.bp.blogspot.com/-LvTo9PA9TBQ/TchenqyXJMI/AAAAAAAAFNU/-nQGAOeC4iQ/s1600/michael-clarke-duncan-6205.jpg
        b] O Rei do Crime [pelo Frank Miller]: http://3.bp.blogspot.com/_fx7MPL4AISI/TU11aOM5NRI/AAAAAAAAKYk/DfV9x61y53Q/s1600/rei+do+crime.png

        MCD é fisicamente perfeito para interpretar o Rei do Crime. Além de ser um bom ator, o tipo físico dele transmite exatamente a idéia de massividade do personagem: parece gordo E muito forte ao mesmo tempo. Não consigo pensar em nenhum outro ator com as mesmas características.

        A única diferença é que um é negro e o outro é branco [característica física do personagem que é completamente irrelevante se comparada com a tal da massividade].

        De novo, extrapolo argumentativamente: imagina o Mark Steven Johnson falando pro MCD que ele é perfeito pro papel, mas que não pode interpretá-lo pq ele, MCD, é negro. E, sabe como é, contratá-lo seria… racista.

      • kingdomcomics Says:

        Olá Vicente!
        Antes de qualquer coisa, só quero deixar claro que este espaço é para discussão. Não vejo por que assumir um tom tão agressivo em suas respostas. Vamos manter o nível ok?
        Agora, acho que você não leu direito o texto. Ou leu sob uma perspective bem particular. Vamos por partes:
        Quando eu uso os termos “jovem WASP, fanboy, raivosos, racistas e e-mails espumantes”, eu estou me referindo a um grupo específico de leitores de quadrinhos que se identificaram como tais em e-mails enviados tanto ao site Marvel.com, como para outros sites de notícias nos EUA – como o Comic Book Resources e o Newsarama – assim como as reações racistas mal disfarçadas de “respeito ao cânone do personagem” que se referiam diretamente ao personagem Miles Morales em maior número, e a escolha de Lawrence Fishburne como Perry White em menor número. De modo algum “elas foram agrupadas de forma genérica e sem sentido com base em características que te convém que elas tenham”. E, considero importante citar aqui e cito no texto, estes e-mails e os fãs a que me refiro são dos Estados Unidos da América.
        A minha opinião tanto com relação ao novo Homem-Aranha Marvel Millenium quanto a Lawrence Fishburne é, respectivamente, uma idéia excelente e um potencial para uma ótima interpretação, caso o diretor do novo filme do Super-homem permita isso. E considero, sim, que boa parte dos e-mails enviados para os sites gringos se referindo a estas duas mudanças, qu eu li, não passavam de racismo disfarçado com um verniz de respeito aos personagens. E considero que este “respeito” deve ser substituído por idéias novas e originais.
        Agora, quanto ao Michael Clarke Duncan como Rei do Crime. Concordo plenamente com você que MCD é um ótimo ator. E a oportunidade de vê-lo interpretar o Rei do Crime (embora eu ache que, particularmente, o ator de Família Soprano, James Gandolfini, funcionasse tanto pela habilidade de atuar quanto por seu porte físico. O que não quer dizer que eu o ache melhor ator que Michael Clarke. Você pode conferir nesta imagem que o compara com a mesma arte que você enviou e que você atribuiu a autoria equivocadamente ao Frank Miller. Na verdade esta arte que enviou é de autoria de David Mazzuchelli) me encheu de esperança de que ele daria a devida profundidade e respeito a esse personagem complexo. Embora eu ache que escalar um ator negro para fazer outro criminoso no cinema não contribua em nada para maneira que a sociedade enxerga o negro através mídia. Coisa que um Heindall negro, independente de qualidade interpretativa, já assume um discurso imediato de inclusão em se tratando de uma cultura nórdica. Mas o que acabou ocorrendo foi uma caracterização equivocada não apenas do Rei como de todos os personagens do filme. O diretor Mark Steven Johnson mostrou muita incompetência em adaptar o herói da Cozinha do Inferno para as telas grandes e a interpretação desinspirada de Ducan só consegue se sobressair em contraste com os péssimos Bem Affleck e Jennifer Garner. Ou seja, um ótimo ator e um ótimo personagem foram transformados em nada mais que um chefão de final de fase de videogame oito bits graças a um diretor equivocado e um elenco digno de praça é nossa. Mas, é lógico, essa é minha opinião, você não precisa concordar com ela.
        Espero que se interesse em reler os textos e prestar atenção no que está sendo dito neles e não em caçar um racismo simplesmente por que você é fã de Michael Clarke Duncan. Eu o considero um ótimo ator, e acredito que infelizmente é mal utilizado. Acredito que a razão do ator ser mal utilizado é que talvez em uma Hollywood com um rígido código estético, um ator parrudo e negro, por melhor que seja, não se encaixa. Só lembrando que estou falando da indústria de cinema norte-americano, não do cinema como um todo, ok? Espero ter esclarecido.

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