Resenha de Superman All Star (ou por que, diabos, Brainiac encolhe as coisas?)

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Você, caro leitor de nosso blog, já está bem familiarizado com Brainiac, pelo menos em uma de suas muitas interpretações. Caso não (nesse caso você não estaria lendo esta coluna) aqui vai uma biografia rápida: Brainiac é um mega computador do planeta Colu que cria consciência e sai pelo universo em forma humanóide, geralmente verde, miniaturizando cidades de diversos planetas para manter em sua coleção. Mas por que diabos ele faz isso? O que passaria por suas sinapses eletrônicas para diminuir todo o esplendor de metrópoles magníficas como Kandor e engarrafá-las para guardar em sua coleção? Cidadãos e tudo.

Antes de assistir ao longa-metragem da DC comics, Superman All-Star, eu me fazia uma pergunta semelhante: Por que diabos alguém tentaria adaptar para desenho animado uma história em quadrinhos tão rica, bela e carregada de sutilezas intransponíveis para outras mídias como a obra de Grant Morrisson e Frank Quietly?

Após assistir ao filme dirigido por Sam Liu, produzido por Bruce Timm e escrito pelo recém falecido Dwayne McDuffie, só uma resposta me vem à mente. Mas vamos sem pressa.

O filme segue basicamente a mesma história do gibi. Da abertura, que resume em poucas palavras a origem icônica do herói – que no filme é realizada com primor –  até seu final mitológico. Com algumas (lamentáveis) exceções está quase tudo lá. Um Super-homem que resolve lidar com sua recém descoberta condição de moribundo tentando desatar os nós de sua longa história. Ao mesmo tempo em que seu arqui-vilão, Lex Luthor (com uma ótima dublagem de Antony La Plagia), resolve que precisa dar um jeito de uma vez por todas em sua única frustração em vida: matar o Homem de Aço. Tudo isso se desenvolve com seqüências de animação muito bem dirigidas – com um destaque especial a cena da fuga do Sanguessuga da prisão. Estão lá também, as seqüências em que Clark Kent salva cidadãos “acidentalmente”, mas de uma forma um tanto quanto didática. O didatismo também retira o clima poético de algumas seqüências, como a resposta da Ultra Esfinge e a fleuma paranóica de Lois Lane na Fortaleza da Solidão.

Outra coisa que falta no filme são as tocantes cenas da jovem suicida e, talvez o mais humano de todos os momentos de Super-homem: a despedida de seu pai adotivo Jhonatan Kent. Também adoraria que a entrevista que Clark Kent faz com Luthor na cadeia tivesse mais da relevância que transparece na série original. Se afastar do traço único de Quietly também foi outro erro, mas que pelo menos lembra que outro mestre da arte também teve seu traço “censurado” ao retratar o Homem de Aço: Jack Kirby.

É frustrante também ver que os criadores do desenho chegaram bem perto da perfeição, mas falharam pela incapacidade compreender que violência e morte NÃO significam maturidade. Existem mortes que não deveriam ocorrer, ainda mais vidas que estão sob a guarda de Super-Homem. Outro momento “Super-homem nunca faria isso!” é na luta com Solaris, em que, no dialogo na revista Super-homem diz: “Você sobreviverá”, é trocado por uma frase absurda que simplesmente vai contra tudo que está na revista.

Mas muita coisa está no filme! Momentos de encher os olhos. Cenas animadas do quadrinho que foram feitas com um bom nível de delicadeza e reverência. Estas cenas, eu vou deixar para você leitor apreciar à seu próprio gosto.   Está no filme também, porém em um nível mais coerente com os filmes de animação da DC, o cerne da série: a humanidade de Clark Kent é que dá o “Super” ao nome Super-homem e o que significa escolher ser humano, mesmo sendo um deus. E por tudo isso, Superman All Star é bem superior as outras animações da produtora. Ao invés de desenvolver uma história em volta de um mote poderoso que acaba com um final aquém da expectativa, SAS é um filme completo. Está de parabéns.

Agora, por que adaptar um quadrinho como esse para uma mídia tão diferente quanto a da animação? Por que SIM! Um motivo tão simples e absurdo quanto rachar a Lua! Por que assim como nosso amigo Brainiac, a equipe de produção não pôde resistir a reduzir toda a grandiosidade dessa história poderosa e bela a seu cerne e transpô-la para um outro público, para uma outra visão. Por que, assim como seu personagem principal, Superman All Star não se contém em sua mídia natal. Como seu autor, Grant Morrisson, poderia dizer: Super-homem é uma ficção que se materializou no mundo real e Superman All Star é sua derradeira estória e como tal ainda contaminará muitas mentes. E estas irão querer à miniaturizar até que ela faça parte deles, e eles, parte dela.

Ao final do filme, assim como no final da revista, dois pensamentos ficaram na minha cabeça. A de que ser um humano melhor é uma questão de querer…

… E que amanhã, vou trabalhar com meu boné do Super-homem.

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2 Respostas to “Resenha de Superman All Star (ou por que, diabos, Brainiac encolhe as coisas?)”

  1. arcanjoga Says:

    É bacana mesmo …

  2. Ryunoken Says:

    Achei fantástico, mesmo com as omissões e adaptações. Melhor da safra de longas de herois que está rolando atualmente.

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