13, 14 e 15/11/10 – FERROCK Revival, Homenagem ao Rock Candango (Ceilândia – DF)

by

Ok, a idéia não é original, o Porão do Rock já havia feito isso no ano em que Brasília comemorou seu cinqüentenário. Entretanto, a homenagem feita pelo grupo cultural Ferrock reuniu nomes mais obscuros, mais undergrounds da cena roqueira do DF nos idos entre 80/90.

Evidente que alguns nomes como Oscabeloduro e Fallen Angel se repetiram, porém, acredito piamente que o Porão nem chegou a cogitar criações marginais como CSM, Marciano Sodomita, Haters, Concorde, Almablue, Narcoze, Flammea e algumas outras.

O sábado, 13, começou com uma chuva persistente e um atraso de 2 horas, e uma boa banda de pop rock, chamada Ponto de Fuga, que faz uma mistura meio Barão / Engenheiros, abrindo o festival no palco denominado Ceilândia Sul. Imediatamente após a CSM iniciou as apresentações no palco Ceilândia Norte, em um caminho extremamente oposto á calmaria sonora ora apresentada. Foram cerca de 15 minutos de caos musical com o velho loud-fast pertubador desses anarcos punks.

A Faces do Caos iniciou as primeiras rodas de pogo e também uma grande polêmica quando discursaram a favor do aborto e contra a união homossexual. A fome bateu e acabei perdendo a apresentação da Marciano Sodomita. Voltei a tempo de presenciar o retorno aos palcos da grande banda Sem Destino. O tempo parado não enferrujou o Marcelo e sua trupe: rock’n’roll de pegadas punks com discurso afiado e contestador.

A Nata Violeta, como sempre, fez uma grande apresentação, brindando o público com sua ótima música de pegada setentista e mensagens ‘flower power’. Os Cachorros das Cachorras mostrou que seus ingredientes parecem possuir data de validade indeterminada: ataque de irreverência, ousadia e a inusitada mistura de jazz, MPB e, é claro, rock. As meninas da Kaos Klitoriano atacaram com mensagens pró-aborto e discursos contra a homofobia, tudo sob a moldura de seu hardcore rápido e curto, que fez abrir algumas rodas e arrancar muitos aplausos dos presentes. O clima voltou a ficar ameno com a música progressiva e harmoniosa da consagrada Mel da Terra. Nessa hora eu vi muito marmanjo com os olhos lacrimejando.

O primeiro dia foi fechado da melhor maneira: Casa das Máquinas. Mais rock impossível! O lendário baterista Netinho (que já tocou na Os Incríveis) comandou a festa. Não faltaram os clássicos “Vou morar no ar”, “Casa de rock” e “Pra cabeça”, todas cantadas a plenos pulmões por uma multidão apaixonada pelo bom e velho rock brasileiro. Quando o tecladista brincou fazendo um medley de Purple e Sabbath os fãs simplesmente endoidaram. Um final belo e mágico para o 1º dia de Ferrock Revival, em homenagem ao rock candango dos anos 80 e 90. O domingo, 15, começou muito chuvoso. Pensei que a programação do segundo dia de comemoração ficaria comprometido. Ledo engano. São Pedro mostrou seu lado roqueiro, tirou a chuva com uma mão e com a outra trouxe um sol irradiante e de beleza impar. Ás 16 horas a Haters – uma das primeiras bandas hardcore de Samambaia – sobe ao palco Ceilândia Sul e faz um ensaio (visto a baixa quantidade de felizardos naquele momento) com muita garra e profissionalismo. À exceção do vocalista, toda a formação original estava junta, o que deixou os vocais sob as responsabilidades do baixista Moacir e do guitarrista James, os quais fizeram um bom trabalho.

Foi muito gratificante poder rever o som desses guris – agora adultos cheios de preocupações e afazeres – mais uma vez. O palco Ceilândia Norte foi agraciado com o rock blues poético dos veteranos músicos da Almablue. A 5 Generais conduziu o público a um retorno ao movimento gótico brasiliense dos anos 80. A banda escolheu bem o set list e fez um show emocionante. A Concorde, por sua vez, uma das primeiras bandas do heavy candango, incitou alguns metalheads a baterem cabeça instigados por suas canções heavys, como a saudosa “Sarracenos”, que ficou bastante popular com a Torinos. 19 anos depois a Pompas Fúnebres volta aos palcos e o retorno é dado em grande estilo: show irretocável, mostrando porque era um símbolo do gothic rock brasiliense. Fallen Angel, uma desbravadora, mostrou que o velho thrash à lá Metallica / Anthrax ainda pode colocar muita gente para bater cabeça. Como antigamente, a grande Marssal alternou músicas próprias e covers – da Led Zeppelin, é claro! – e mostrou meia hora de um rock’n’roll feito com muito amor, fidelidade e vitalidade.

Oscabeloduro invadiu o palco já mostrando a que veio: incendiar o festival! O punk-rock acelerado e de músicas curtas proporcionou grandes rodas de pogo. O antigo baixista Gazú mostrou estar se saindo bem com sua nova função de frontman: agitou bastante e manteve ótimo feedback com o público. Porém, o ponto alto da apresentação foi a participação especial do filho do novo baixista Guilherme cantando um som junto com a banda. Isso é Ferrock! A Narcoze – uma das mais importantes bandas de metal de Taguatinga -ensaiou algumas músicas do clássico disco “Genoma” e mostrou que, se quisesse voltar, o público estava pronta para recebê-la de braços abertos novamente.

O time estava completo e entusiasmado, o que fez valer como uma das grandes apresentações da noite. Aceitaram o convite para participar do festival Headbangers Revival que acontecerá em março de 2011, no Círculo Operário do Cruzeiro Velho. Coube à Made in Brazil fechar a 2ª noite de espetáculo. E, puts, são 43 anos de rock’n’roll, uma vida, duas vidas, três vidas dedicadas ao rock. É amor demais! Foram mais de duas horas de show, hits de todos os vários álbuns e uma incrível jovialidade dos senhores e irmãos Osvaldo e Celso, que comandaram essa máquina de rock’n’roll brasileiro chamada Made in Brazil! Sem meias palavras: sensacional! E vamos para o terceiro e último dia do Ferrock Revival. Segunda-feira, 15, feriadão, e um sol de trincar em plena época de chuvas assustadoras aqui no Deserto de Saara tupiniquim. Uma inversão para ficar diferente. O palco de abertura desse dia foi o Ceilândia Norte. Os acordes iniciais foram da ceilandense Duplo Destino. Comandada pela dupla Ed e Agnaldo, a Duplo tocou como se estivesse um milhão de pessoas em sua frente. Os poucos roqueiros presentes dançaram e aplaudiram o rock’n’roll multifacetado da banda.

Perdeu quem chegou tarde. Kábula detonou seu ótimo hard’n’heavy cantado em português com a competência que lhe é peculiar. A banda está cada vez mais coesa e respeitada. Os dinossauros do hardcore brasiliense, ARD, vieram como uma avalanche sonora e derrubaram tudo em tsunami musical de exatos 30 minutos.

As meninas da Flammea contaram com a ajuda da Lauren, já que a vocalista Raquelzinha estava com a garganta contundida, e acabaram fazendo uma apresentação um pouco tensa, o que não significa dizer que tenha sido ruim. As damas do thrash mandaram músicas próprias e covers como Metallica e Iron Maiden. A Elffus foi obrigada a improvisar de última hora e esticar o set list, visto que o festival estava tão organizado que ia acabar cedo demais. A sorte é que tratasse de uma banda que toca com boa freqüência, logo, não foi tão difícil incluir uns sons e ampliar a estada sob o palco.

Foram 50 minutos de um ótimo equilíbrio entre o rock’n’roll, o hard e o heavy-metal feito por um quarteto que está mais afinado do que nunca. Sem dúvida alguma, a melhor formação das várias que a Elffus já teve nessas mais de duas décadas dedicados ao rock. Após, uma dos nomes mais aguardados do Ferrock: Finis Africae. Uma pena os caras terem preparados apenas 5 músicas, tanto que tiveram que repetir mais duas canções por insistência e escolha do público que cantava e dançava sem parar. “Ética”, “Van Gogh” e “Armadilha”, certamente fazem parte do extenso dicionário musical do rock brasileiro. E por falar em história…

o encerramento do festival Ferrock Revival – homenagem ao rock candango dos anos 80 e 90, teve a assinatura do Nazi, ex-vocalista da Ira!, que agora se apresenta em carreira solo ao lado de um excelente time de músicos. O cara estava empolgado, tocou músicas além das elencadas no set list, onde incluiu, sabiamente, Legião Urbana e Plebe Rude. Para cair de vez nas graças do grande público (cerca de 2.000 pessoas), tocou também Raul Seixas e, claro, Ira!.

Aliás, bem que o velho Nazi poderia e deveria ter apresentado mais criações próprias, pois competência e músicos para tanto já mostrou que tem. Foi uma apresentação espetacular, é verdade, mas 98% baseada em músicas de outras bandas e artistas. Parabéns ao Ferrock pelos seus 25 anos, pela iniciativa e por mais uma vez mostrar o que todos nós sabemos, mas parecemos às vezes nos esquecermos: o rock não é apenas música! Vida longa ao rock’n’roll, vida longa ao Ferrock!

Por: Fellipe CDC

Anúncios

Tags: ,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: