Entrevista do Carpaneda pro felipe cdc

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Entrevista para o ZINE OFICIAL

Artista plástico de várias facetas oriundo da metrópole candanga Taguatinga, Carpaneda está radicado em Nova Iorque, a megalópole mundial. Leia o bate-papo descontraído entre Fellipe CDC (Z.O.) e o próprio Fernando Carpaneda. O artista fala sobre temas polêmicos como homossexualismo assumido, política brasileira, política americana e corrupção política dentro da Secretaria de Cultura do DF. É dinamite pura!

ENTREVISTA COM FERNANDO CARPANEDA CONDUZIDA POR FELLIPE CDC

01) Conte-nos como e quando se deu sua entrada no mundo artístico. Seu ingresso no universo cultural veio naturalmente ou foi instigado por seus pais?
Carpaneda: Comecei a pintar com 11 anos e fiz minha primeira exposição em Taguatinga com 13 anos de idade. Foi um processo natural e minha família sempre me deu apoio.

02) Como você avalia a evolução de seus trabalhos?
Carpaneda: Estou me especializando em miniaturas em argila e meu trabalho é um processo evolutivo constante.

03) No cenário musical é muito comum uma banda considerar-se influenciada por outras. Tal atitude é também notória nas artes cênicas. E nas áreas das artes plásticas, isso também ocorre? Quais artistas você admira e considera que influenciam em seus trabalhos?
Carpaneda: Sim, claro! Minhas maiores influências sempre foram Caravaggio, Lucien Freud, Francis Bancon, Ron Mueck, John John Jesse, Naoto Hatori e Slava Mogutin.

04) Você foi homenageado com uma canção pela cantora inglesa Leigh De Vreis. Como é essa sensação? Até qual ponto essa atitude os aproximou?
Carpaneda: Fiquei bastante surpreso quando recebi o e-mail dela falando sobre a música. Não imaginava em receber esse tipo de homenagem. Ficamos amigos desde então e ela quer fazer um show ao vivo na minha próxima exposição. Fico feliz em saber que meus trabalhos estão influenciando músicos e bandas no exterior. Recentemente uma banda punk me pediu camisetas com meus desenhos e meu nome para usar em shows aqui nos EUA. Acho louco às vezes ver estrangeiros usando camisetas com o meu nome. Há! Há!

05) Você vive uma intensa ponte aérea Brasil X EUA, sendo assim, gostaria de saber quais as diferenças básicas primordiais entre ser um artista sul-americano e um artista norte-americano?
Carpaneda: A diferenca básica é que os artistas norte-americanos são valorizados pelo talento e postura de vida. No Brasil, por exemplo, os artistas são valorizados pela posição social, peixadas e panelinhas. O talento é o que menos importa.

06) Os EUA estão no auge de uma crise financeira que tende piorar, como isso está afetando o mercado artístico independente norte-americano?
Carpaneda: O mercado de artes aqui é mantido pelo turismo. Os turistas de outros países estão aproveitando que o dólar está em baixa para investir em arte aqui. Eu ainda não sei te dizer como isso vai ficar no futuro, mas enquanto o dólar estiver barato, o turismo aqui tende a crescer. O governo está fazendo campanha na televisão ensinando como a população deve conviver com uma crise financeira grave e como economizar nos gastos. Nova Iorque, onde moro, é a cidade que mais fatura com o turismo nos Estados Unidos, então conheço melhor a realidade daqui. É como no Brasil: só os pobres são sempre afetados com crise financeira.

07) Você participa de algum tipo de associação, sindicato dos artistas ou algo semelhante? Acha importante a existência de uma entidade nesse sentido?
Carpaneda: Participo do Art Renegades em Las Vegas, que tem a proposta de divulgar a arte underground e lowbrow e combater o elitismo social nas artes plásticas. Esse grupo faz uma forte oposição ao governo Bush e à guerra no Iraque.

08) Inúmeras vezes me pego navegando nas naves da utopia. Penso que em nosso restrito mundo cultural underground não existe o preconceito, o competivismo, a corrupção, etc. Infelizmente existe. Nesse sentido, gostaria de saber como as pessoas de nosso universo cultural receberam a sua declaração de homossexual assumido.
Carpaneda: Sim o preconceito existe no meio underground tanto aqui nos EUA como aí no Brasil em relação a gays. Eu nasci gay, não foi opção. Qual o idiota que iria optar por ser descriminado, ter problemas com a sociedade, ser motivo de chacota, correr risco de levar porrada, ser malhado na escola e fazer a vida ficar pior do que ela normalmente é? Então pra você se assumir gay, você tem que ser mais macho do que os héteros, senão você não agüenta o tranco! Há! Há!

09) Ainda nesse enfoque, sua orientação sexual é fator presente em muitas de suas obras. O que é ótimo e dá um brilhante toque pessoal às mesmas. Mas o que eu gostaria de saber é se você já teve algum tipo de problema com algumas das pessoas esculpidas ou desenhadas pelo Fernando Carpaneda, uma vez que algumas de suas obras fazem alusão direta a alguns de seus romances?
Carpaneda: Tive problema com um dos atores pornôs que retratei 10 anos atrás. Hoje ele é uma pessoa famosa aqui nos Estados Unidos. Ele me procurou há algum tempo e me pediu para tirar o nome e as informações sobre ele da escultura que fiz, quando ele atuava no meio pornô aqui. Ele está tentando esconder o passado de garoto de programa e de gigolô que ele tem por aqui. Com meus ex-amantes nunca tive problemas, são uns filhos da puta, mas em relação a isso nunca me encheram o saco.

10) Você me mandou, via e-mail, foto de uma de suas esculturas. Mostrei “You hurt my feelings” para um amigo de trabalho, uma pessoa considerada normal pelas leis da sociedade vigente, e ele ficou estarrecido com as imagens. Presumo que outras pessoas, as socialmente aceitas, também ficaram (e ficarão). Sendo assim, chego à conclusão que a arte ainda choca, assusta e acorda. É uma das intenções com seus trabalhos?
Carpaneda: Sim! Acho que arte tem que ter ataque direto, nada de minar a estrutura por dentro como já me falaram. Usar uma bula explicativa e embolar a língua em conceitos para explicar um pingo de tinta ou um rabisco, não me diz e não me interessam em nada. O impacto visual figurativo e o acabamento técnico extremamente difícil é o que tem sido uns dos meus pontos principais para analisar uma obra de arte e parte fundamental no meu processo criativo.

11) Em uma das nossas muitas conversas por e-mail você comentou superficialmente sobre um boato que ouvira que me deixou atônito: um suposto mensalão das artes, onde alguns artistas estariam recebendo propinas do governo. Em sendo verdade, é algo bastante sério e nefasto. Você assume o risco de falar sobre o tema, cutucar a ferida e tentar fazer com que todo o pus seja drenado?
Carpaneda: Cutucar a ferida é comigo mesmo. O povo tem que deixar de ser safado. Essa gente que se diz artista e me critica por fazer retratos de marginais, e me chama de viado, age e se comporta pior do que toda a marginália que eu já retratei. Esses professores, doutores de universidades de Brasília, fundações e instituições nacionais de artes receberam mensalão através de uma corrente de funcionários públicos do Governo do DF . Desviaram dinheiro que seria investido em projetos de arte para seus próprios bolsos. Várias pessoas do meio artístico em Brasília sabem disso, mas, como sempre, se calam por medo de perderem o emprego e serem ameaçadas. Sinto nojo dessa gente!

12) A visão dos norte-americanos com relação ao Brasil continua sendo a mesma, ou seja, corrupção, futebol, miséria, carnaval, mulheres com a bunda de fora e Selva Amazônica?
Carpaneda: Sim a maioria continua tendo essa visão sobre o Brasil, isso por culpa das agências de turismo brasileiras que só divulgam fotos do Rio e carnaval com mulheres nuas. Sobre a Amazônia eles sabem sobre o desmatamento e daquele projeto de lei do retardado senador Flexa Ribeiro que autoriza a derrubada de até 50% da vegetação nativa em propriedades privadas na Amazônia, que de quebra legaliza praticamente todos os desmatamentos dos últimos 40 anos, que derrubaram cerca de 700 mil quilômetros quadrados da área original da floresta. (Saiba mais no site: http://www.meiamazonianao.org.br/ )

13) Geralmente, quem está do lado de fora visualiza melhor os problemas. Sendo assim, como enxerga a disputa para a Casa Branca? Caso votasse aí , qual seria seu candidato?
Carpaneda: Bem, eu moro com uma americana que foi hippie nos anos 60 e 70 e participou dos protestos da guerra do Vietnã e fez parte dos Hells Angels. Ela tem uma visão bem direta sobre a política norte-americana. Pelo que tenho conversado com ela, a melhor opção para o país seria o Obama, pois a maioria da população não quer outro Bush no poder, no caso o McCain. O único medo deles é que o Obama não segure a onda de um outro ataque terrorista e não saiba lidar com a política da guerra por falta de experiência. Mas a maioria prefere Obama como presidente. Eu votaria Obama! ‘Yes we can’!

14) Voltando ao campo artístico, que é o que melhor dominamos, quais músicas costuma ouvir quando está criando, se é que escuta alguma coisa nessas horas?
Carpaneda: Depois que comecei a me aperfeicoar em esculpir miniaturas parei de ouvir música enquanto trabalho, pois às vezes me tirava a atenção do que estava fazendo. Tenho trabalhado no silêncio total. Só ouço música depois que termino as peças.

15) Como se sente sendo o primeiro correspondente do sítio www.zineoficial.com.br ? Quais são as suas pretensões e expectativas quanto a essa nova investida?
Carpaneda: É uma honra ter a oportunidade de ser correspondente do Zine Oficial e poder divulgar novos artistas e bandas do underground.

16) E quanto às exposições, como estão? Quais são os novos planos? Quando teremos o prazer e a honra de contar com uma nova exposição sua no DF contando com a vossa presença?
Carpaneda: Tenho uma exposição agora em outubro aqui em Nova Iorque e outra em dezembro em Miami. Quanto ao Brasil ainda não sei, estou aberto a propostas.

17) Há alguma coisa que queira falar, algo que julgue importante destacar, e não foi perguntado?
Carpaneda: A Lowbrow arte é o novo movimento artístico que vai tomar conta do mundo. Procurem se informar.

18) Agradeço sua paciência, sua amizade e sua disponibilidade em responder essa entrevista. Deixe suas considerações finais aos nossos leitores e a todos os seus muitos fãs espalhados pelo mundo.
Carpaneda: Agradeço a todos pelo apoio. Vocês me dão força pra continuar, pois o underground às vezes não é fácil. Continuo bebendo todas e freqüentando pés-sujos aqui em Nova Iorque também, inclusive achei um perto da Times Square, um bar que tem barulho de panela de pressão no fogão, vende PF e quentinhas, cerveja barata, mesas quebradas e forro de mesa de plástico com frutas e verduras. Esses lugares a Rede Globo não mostra aí no Brasil! Há! Há!

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Uma resposta to “Entrevista do Carpaneda pro felipe cdc”

  1. ROBERTO ALMEIDA (@banzine66) Says:

    Saudade do amigo Felipe cdc,por onde andas? grande abraço!!!

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