Walking Dead

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Hollywood evolui mesmo! A lerdos e trôpegos passos de zumbi, mas evolui.

Quando X-men estreou há 10 anos (!), muitos de nós, leitores de gibi, nem sonhariam em ver sua mídia preferida tomar o mundo. Não apenas tomar o mundo, mas obrigar que outras mídias agissem com seriedade e respeito na hora de adaptar os quadrinhos para seu meio. E essa seriedade pode aparecer de várias formas, com resultados bem diferentes.

Quem já leu os Mortos Vivos de Robert Kirkman deve ter apreciado a HQ por um ou mais dos seguintes motivos: A proposta de desenvolver personagens bem construídos e mostrar sua saga de sobrevivência num mundo dominado por zumbis; o impressionante desapego que o autor tem por suas criaturas, que não pensa duas vezes em transformar carismáticos personagens em ração de desmortos; a arte competente de Tony Moore, que mesmo um sendo um tanto cartunesco nas expressões, consegue transmitir uma boa carga emocional, como na seqüência da mulher na bicicleta; e finalmente, nas situações inusitadas pelas quais nossos (anti) heróis devem passar para sobreviver.

A série de TV da AMC, que bateu recorde de audiência nos EUA e no mundo inteiro em sua estréia, tem todos esses ingredientes. Até os zumbis de Tony Moore ficam parecidos na telinha com o original de quatro cores! Estão lá o drama pessoal dos personagens, bons atores caracterizando cada um dos protagonistas com o tom certo, zumbis que não pretendem ser realistas e que acabam funcionando muito bem contrastando com o elenco de vivos e seus problemas pesados.

No primeiro episódio acompanhamos o Xerife Grimes no seu despertar em um hospital, onde estava se tratando de um ferimento grave a bala, para descobrir que enquanto estava desacordado o mundo caiu num apocalipse de mortos vivos. Tendo que se adaptar rapidamente ou morrer, Grimes descobre (de uma maneira um tanto forçada na série) que sua mulher e filho podem estar vivos ainda e decide partir em busca deles e se aventurar na cidade grande, tendo em mente as palavras que outro sobrevivente que encontra no caminho lhe diz:

“Eles podem parecer desajeitados isolados, mas em grupo e famintos, são muito perigosos”. Tudo exatamente igual ao quadrinho. E esse acaba sendo um problema para quem já leu a série.

Quem assistiu Watchmen deve lembrar-se do problema enfrentado pelo diretor Zach Snyder para adaptar a obra para o cinema. A literalidade da transposição das imagens da Graphic Novel foi tanta que de certa maneira minou a naturalidade do filme, o deixando frio e deslocado. Já em Walking Dead a literalidade do texto acaba gerando um outro problema: Como manter o público que acompanha a série em quadrinhos interessado em uma série de TV que eles já sabem o que vai acontecer?

Aparentemente os desenvolvedores da série televisiva estão cientes disso e apostam em mudanças estratégicas e o desdobramento de pontos pouco explorados na HQ para chamarem a atenção dos leitores. No primeiro episódio vemos que alguns zumbis podem reter algo de sua vida anterior e isso é mostrado quando os roteiristas exploram personagens que aparecem brevemente no começo da saga. Outra adaptação acontece no segundo episódio, o ótimo “Guts” em que um personagem importante do futuro da historia nas HQs é apresentado discretamente entre os outros protagonistas. Esse episódio conta ainda com uma das melhores cenas vistas na TV deste ano. Uma transposição de uma cena no quadrinho que adquiriu um impacto impressionante na sua versão televisiva mostrando que ainda tem muito mais por vir. E que virá! O sucesso dos dois primeiros episódios já garantiram uma segunda temporada. Para felicidade do simpático Kirkman(que é produtor e consultor na série) que pode ter mais de seus projetos na mira de Hollywood. Alias, se alimentar dos miolos da industria do entretenimento americano é uma coisa que já estava bem clara pra quem acompanha o gibi Walking Dead desde o começo.

Realmente Hollywood está amadurecendo seu conceito de “adaptação de HQ´s”. Junto com Scott Pilgrim este ano e outros exemplos mais recentes, sendo o melhor deles o Batman: Cavaleiro das Trevas, a indústria de entretenimento americana está percebendo que não custa dividir os lucros de uma adaptação trazendo os autores pra dentro da produção. Garantindo assim fidelidade ao material original.

O pensamento é simples, ao adaptar fielmente uma obra, você garante o público que acompanha o gibi e a qualidade do mesmo é atestada gerando um novo público que se soma aos já estabelecidos. Uma conta que até um zumbi pode fazer!

Por: Lima Neto

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