Kyra

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Os mundos fantásticos sempre renderam bom divertimento para os amantes da literatura. Da Terra Média de J.R.R. Tolkien, passando pela Nárnia de C.S. Lewis, e chegando aos encantos do mundo mágico clandestino de J.K. Rowling, a ficção fantástica arrebanha milhões de fãs no mundo todo e vira objeto de culto por gerações.

Nos últimos anos, os mundos de fantasia ganharam um toque de brasilidade com o ingresso de novos escritores no mercado editorial. Nomes como André Vianco e Jorge Tavares são conhecidos representantes da fantasia nacional, e é esse nicho que Paula Dias Garcia pretende atingir com o romance Kyra.

A jovem escritora, de apenas quinze anos, nos apresenta, nas quase 350 páginas do livro, ao reino de Thargarem, uma terra habitada por elfos, ninfas e feiticeiros. É nesse mundo que vive Kyra, uma ninfa que, ao atingir a idade adulta, entra no Instituto Arcádia, uma instituição de ensino onde jovens selecionados aprimoram seus poderes. Enquanto Kyra inicia seus estudos, e sonha servir à corte real de Thargarem, seu amigo Aëron se envolve com a Resistência, um grupo que, historicamente, se opõe a realeza. Em lados opostos, os amigos se vêem diante de uma conspiração política, que pretende destronar a Rainha e assumir o comando do Reino.

Paula Dias Garcia se mostra segura e consciente do mundo que criou, ainda que algumas vezes tenda a esquecer que o leitor não o conhece tão bem quanto ela. Por exemplo, em determinado capítulo é revelado que existe um preconceito, ainda que velado, contra ninfos no Reino de Thargarem, preconceito esse compartilhado pela mãe de Kyra. Isso pega a todos de surpresa já que, em nenhum momento, esse preconceito é tratado no livro. Muito pelo contrário, Kyra é bem recebida em todos os lugares em que aparece.

Mas deixando de lado os entretantos, Kyra desenvolve bem sua história central, seja com boas pitadas de fantasia, seja com a inclusão de personagens interessantes como a feiticeira Tienne. Outra decisão acertada, é não limitar a narrativa ao ponto de vista da personagem-título. Dividindo a ação do livro entre Kyra e Aëron, Garcia consegue manter um bom ritmo durante toda a narrativa.

Deixando suas influências claras a todo momento, é impossível não associar o Instituto Arcádia ao castelo de Hogwarts, por exemplo, Kyra é um começo interessante para a jovem escritora. É mais um mundo de fantasia que enriquece a literatura nacional. E nós estamos precisando disso.

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